sexta-feira, 1 de maio de 2009

15 anos sem Senna


O que se faz em 15 anos? Muda-se uma vida, tantas outras passam a existir, mais outro tanto deixam de existir. O mundo muda. Você muda. O seu círculo de amizades muda. Só não muda um sentimento: a dor da perda do Nosso Herói.

A dor não em seu sentimento literal, mas em seu sentido figurado, quando observamos as lacunas que ele nos deixou. A ausência de ídolos de verdade, que sirvam de exemplo para nossas crianças, a falta de garra, gana, ambição de vitória, de mostrar a todo o mundo que eles não faziam mais que a obrigação de súditos quando se curvavam cumprindo reverência a um brasileiro. O mundo se curva diante do Brasil.

Durante os já longínquos anos do fim da década de 1980 e início da década de 1990, este foi o sentimento que tomava conta de todo o povo tupiniquim nas manhãs de domingo. Durante 65 manhãs de sábado pudemos olhar altivos, com superioridade, não havia ninguém na nossa frente. Era pole. Mais uma delas. E cravada com uma técnica já consagrada, saindo com um filete de gasolina, uma volta voadora perfeita e ta lá. Ayrton Senna é pole. Por mais 41 domingos pudemos ver a bandeira brasileira no lugar mais alto do pódio, bandeira esta que ele tanto se orgulhava em carregar, em um gesto nascido no GP dos EUA de 1986, que vingara mais uma decepção da Seleção Canarinho com um passeio nos franceses do Circo.

Senna era um adepto do trabalho. Já que sem ele, nenhum mérito é válido e duradouro. Como ele mesmo dizia: "A Fórmula 1 é um tempo perdido se não for para vencer." E venceu! Como venceu! Com trabalho. E não é que o destino quis pregar uma peça em todos nós. Eis que no dia do trabalho, o maior exemplo brasileiro de que com trabalho sério, capacitação e vontade consegue-se as metas ditas impossíveis, põe um ponto final em sua tragetória no circuito de San Marino, após violentíssimo acidente.

Vem o silêncio. Vem a letargia. Um povo que até então via seu ídolo como imortal, superior, comprovou da maneira mais dolorosa que ele é de carne e osso. Humano. Erros infelizmente ocorrem, acidentes idem. Em um destes, o mundo perdeu seu referencial de trabalho duro, de vontade de vencer.

O que foi duramente construído durante 15 anos, desde a época do kart até o fatídico domingo de San Marino, acabou. Em milésimos de segundo. O tempo que parecia ter passado tão rápido dado o deleite que ele nos trazia semanalmente demorou para passar, não é mesmo? A cada dia vemos esta lenda nacional sendo mais esquecida pelos grandes meios de comunicação do país. Triste daquele país, povo ou instituição que não respeita seu passado. Não o admira. Não o vangloria. O homem que por 15 anos fez a sua tarefa de demonstrar - sou brasileiro! - no automobilismo, no mesmo período é abandonado pelo seu país natal.

Os admiradores de Ayrton Senna dedicaram-no uma estrela, para que o brilho de seu nome não se apague nunca da memória da humanidade. E é assim que sinto, é assim que vejo. Seu nome, sua inspiração, jamais deixará de habitar meu espírito onde quer que vá, o que quer que eu faça.

Não é uma data para se comemorar, mas é uma data para que possamos relembrar todos os célebres episódios do melhor piloto da história, a despeito de todo e qualquer número que possa vir a ser apresentado, é o melhor e não resta dúvidas. É uma data para que façamos ao menos 15 segundos de de meditação para lembrarmos de seu nome, nada mais que isso porque certamente o desagradaria, estaríamos muito lentos.

Certamente, de onde estiver, ele acompanha todos nós de uma maneiro especial, zelando por cada um de alguma forma. E, com certeza, todo esse carinho é retribuído diariamente por meio de nossos pensamento e atos. Acelera Senna, seu destino será sempre o alto do pódio. Seja ele o das corridas, o de nossas mentes, o de nossos corações.

Que possamos ter um pouco de toda a sabedoria que você você demonstrou durante a vida, que tenhamos a capacidade de guiar na ponta dos dedos toda essa paixão que temos pelo automobilismo que você tanto gostava, para que continuemos sempre zelando pelo seu nome e por sua história.

Valeu Senna. Do Brasil.

Deyvison Nascimento.

8 comentários:

Felipão disse...

Simplesmente, maravilhosos relato Deyvison...

Bruno Santos disse...

Excelente homenagem, Deyvison. Assim como você, levo muita coisa do Senna comigo, todas as conquistas e alegrias. A lacuna deixada não pode ser preenchida e nem será, ele se tornou um mito. Muito melhor que ver a cena violenta ou lamentar sua morte é mostrar toda a sua genialidade e como alcançou o patamar de herói nacional. Fruto de muito trabalho, muito talento e gana. Foi cedo mas deixou a certeza que sempre fez o seu melhor...
Abraços.

Marcos Antônio Filho disse...

Grande Texto Deyvison!
Realmente Senna representou muito pra muitas pessoas,tanto que recheiam os blogs amigos de post sobre os 15 anos de sua morte. Um idolo que faz muita falta

Li disse...

Deyvison... simplesmente perfeito!
Escrito com paixão tamanha a do Senna por nosso país!
Abraços!!!

Leandrus disse...

"Um povo que até então via seu ídolo como imortal, superior, comprovou da maneira mais dolorosa que ele é de carne e osso. Humano."

Concordo completamente com esse trecho. Como eu era criança na época, foi exatamente assim que vi a morte de Senna...

Paulo Maeda™ disse...

o msm trecho que o Leandrus citou... eh perfeito, resume praticamente muito o que todos achavam. Mas msm sem a divulgação da imprensa sobre a lembrar desta data, sempre ouço falar que os fãs vão lá no tumulo todos os anos, senão no dia 01/05 vão no dia de Finados prestar suas homenagens. Um mito nunca será esquecido, afinal, não era de carne e osso

Paulo Maeda™ disse...

*ops errei no final

"afinal um mito é de carne e osso, não é imortal".

M3 (Mauro M. Mansilla) disse...

Pues nada... que se puede decir. Lo vamos a extrañar siempre, lo vamos a recordar siempre. Al día de hoy las imagenes de Ayrton todavía me conmueven