quarta-feira, 9 de julho de 2008

A Ferrari Chora

Amigos leitores, amantes do automobilismo, chegamos a metade do campeonato, e como de praxe todos nós analisamos e fazemos previsões para a outra metade, afinal temos uma base sólida, diferente de resultados da pré-temporada.

Eu não pretendo me estender, afinal comentar sobre dez equipes separadamente é algo um tanto repetitivo e muito extenso até para uma coluna, por isso vamos analisar os pontos chave.

A 10ª etapa do Mundial de Fórmula 1 começa do marco zero, os três postulantes ao título estão emparelhados, todos com 48 pontos, nada de vantagem, nada de diferença, mas se analisarmos a fundo essa questão, há uma diferença chave. A Ferrari construiu o melhor carro do grid, aquele que brigou pela vitória em todas as corridas, aquele que podia largar na pole, vencer e fazer a melhor volta. A falta de organização da equipe de Maranello vem salgando a macarronada, são estratégias errôneas nos treinos e, principalmente na corrida. A Ferrari ousa demais, quando na sua posição atual, ou seja, na liderança de pilotos e equipes, que tinha até antes do GP da Inglaterra, ela tem de se manter a mais conservadora possível. Quem tem de remar contra a maré para conseguir obter resultados surpreendentes são os demais, quem vem de trás como Rubens Barrichello ou Nick Heidfeld, a Ferrari precisa fazer o trivial, pois quem possui o melhor carro e uma boa dupla de pilotos precisa apenas do trivial para consagra-se campeã, pois é algo natural. A McLaren, que também abusou dos tropeços, mas de seus pilotos, chega com Lewis Hamilton na liderança do mundial novamente, com um carro em que algumas corridas foi pior que a BMW, ou seja, Hamilton, mesmo oscilando entre ótimas e pífias atuações, é líder, diante de um Raikkonen apático e de um Massa inconstante. Raikkonen parece que adora a segunda metade do campeonato, era quarto colocado ano passado quando despertou rumo ao título, mas a verdade é que o finlandês precisou de uma série de contratempos e combinações para isso. E ano passado a McLaren tinha um carro mais competitivo do que 2008, chegando a ser amplamente superior em pistas como Mônaco e Indianápolis. Massa parece que tropeça nos próprios pés, sempre responde aos críticos depois de péssimas atuações, mas depois torna a repetir as mesmas péssimas atuações, e assim viu o campeonato de 2007 terminar em um duro golpe, deixando que seu companheiro de equipe fosse campeão mundial, dentro da sua própria casa.

Passada a metade do campeonato, a McLaren parece que acertou de vez a mão no carro, ao contrário da BMW que, mesmo com o segundo lugar de Nick Heidlfeld, viu seus rivais diretos evoluírem muito na temporada européia, além de ver, também, a evolução da Toyota, Renault e da Red Bull, que começam a beliscar os pontos acima da sétima posição, com muito mais freqüência.

O campeonato de Kubica é fenomenal visto o carro inferior aos demais, estando após a metade do campeonato na quarta posição, a frente de Kovalainen e atrás apenas por três pontos dos três líderes. É a grande zebra até aqui.

O que tenho a dizer, amigos leitores, é que mesmo sendo alvo de críticas até pela imprensa de seu país, o melhor pilotos dos postulantes ao título é Lewis Hamilton. Afinal, ele quem se salvou do aguaceiro em Silverstone mesmo largando da quarta posição, ele quem se manteve longe dos azares da corrida inaugural de Melbourne, ele quem, mesmo batendo no guard-rail, chegou na frente em Mônaco. É o melhor piloto em chuva do ano, e se não fosse a grata surpresa Robert Kubica, seria o melhor piloto este ano em atividade. Errou sim, e muito, mas é o preço que está pagando pela falta de experiência, pela pressão de conduzir uma equipe grande rumo ao título, é uma pressão até maior do que a de Fernando Alonso que levou a Renault ao campeonato em 2005 e 2006, porque Hamilton tem a obrigação de manter a equipe competitiva, enquanto Alonso tinha apenas a pretensão. Não sou fã incondicional de Hamilton e, particularmente, passo muito longe disso, mas sei que estar empatado com um carro um pouco inferior é uma dádiva em campeonatos tão apertados como 2008. Bahrein e Canadá foram corridas para serem esquecidas, mas Austrália, Malásia e Inglaterra também não podem estar nas melhores memórias de Massa, assim como Mônaco não faz jus ao currículo de Raikkonen.

Após um ano e meio de aposentadoria, parece que o título de 2007 chegou às mãos da Ferrari mais por extrema habilidade e sorte de Kimi Raikkonen, em partes devido aos problemas internos da McLaren, do que pela maestria apresentada nos tempos da parceria Schumacher-Ferrari. A fábrica andava como uma engrenagem perfeita nos tempos em que era “ítalo-alemã”, tinha um piloto genial, um carro quase imbatível, estratégias muito bem calculadas, afinal, foi ele quem venceu o Grande Premio da França com quatro paradas nos boxes, em condições climáticas normais. Mas a nova Ferrari, que afastou Schumacher-Brown-Todt, e trouxe Raikkonen/Massa-Domenicali-Almondo, é frágil, desorganizada e está deixando um campeonato praticamente ganho escorrer pelas mãos. As trapalhadas estão chegando ao ridículo, os pilotos, mesmo criticados, fazem mágica diante da catástrofe que a equipe apresenta na parte estratégica. Raikkonen foi valente levando o carro ao quarto posto, assim como foi Massa levando a Ferrari na terceira posição de Mônaco. Quando tudo dá certo, como no GP da França, os pilotos fazem o básico, que é vencer e brigar entre si, mas quem está colocando sal no campeonato é a própria Ferrari que bate cabeça e faz com que corridas excepcionais tornem-se vexatórias.
Enquanto isso, temos de levar em conta a evolução das equipes médias, o que é um fato muito gratificante para os que acompanham a Fórmula 1, não muito por 2008, mas para 2009 quando um novo conjunto de regras visa padronizar melhor as equipes e reduzir a diferença entre elas. O término do controle de tração realmente trouxe uma maior quantidade de erros, que fazem com que os bons pilotos acabem se destacando, sempre buscando andar o mais próximo possível de seus limites, sendo assim, a volta dos busca aprimorar este fator, o que ocasionará mais erros e mais emoção para a categoria, que estava sim carente desses resultados.

Por fim, caros leitores, quero dizer que a nova ordem da Fórmula 1 se deve em suma a um importante fator: o fim da era de ouro da Ferrari, que provou que a junção de quatro fatores cruciais, um grande piloto, um grande líder, um grande estrategista e um grande carro, fazem uma equipe imbatível. O telespectador sorri, os patrocinadores sorriem, e a Ferrari chora.
Iceman®2008

9 comentários:

Marcos - Blog da GGOO disse...

Que beleza hein Ice!!
Não dá pra começar um comentário sobre seus textos sem elogia-los antes, parabéns!!
E a pergunta que fica: será que eles já se tocaram de tudo isso que vc espôX aqui??
Somente o tempo dirá!!!

F-1 A.L.C. disse...

realmente Ice, voce ta fazendo textos muito bons! da muita vontade de comentar.

acho que esta esquecendo de Rory byrne, que aposentou e foi sustituido por Aldo Costa em 2006. teve que voltar em 2007, mais nesta temporada atua somente como consultor.
aqui voce tem tres funcionarios cruciais da ferrari atualmente atuando como "consultores"
-Jean Todt
-Michael Schumacher
-Rory byrne

se Domenicalli tiver um pouco de senso comum, vai tira-los desse titulo honorifico e vai escutar o que eles tem a dizer

Lenadro Montianele disse...

Ice, como sempre um ótimo texto!!!

Assim como a McLaren em 2007, a Ferrari pode perder este título para ela mesma. Possui um carro melhor que as rivais, mas esbarra nos próprios erros.
Vamos ver o que acontece no fim da temporada.

Abraço!

Leandro Montianele

Net Esportes disse...

A Ferrari pecou mesmo em alguns casos como na última corrida, o Jean Todt e o Ross Brawn estão fazendo falta........

Não sei porque muita gente não gosta do Hamilton, mas eu continuo apostando nele para o título, assim como apostava ano passado, vejo os erros dele mais como uma desatenção e não muito pela falta de experiência.........

Alexandre Massi disse...

Acho que foi apenas uma corrida ruim da bmw. Mesmo assim, conseguiram um segundo lugar. Acho que tudo volta ao normal na próxima etapa. Abs Leandro

Daniel Leite disse...

Nós temos visto uma inversão de valores. Em 2007, a McLaren tinha melhor conjunto e, pelas próprias lambanças, entregou o título à Ferrari. Agora, pode ocorrer justamente o contrário. Mesmo com um monte de erros, Hamilton ganhou força e tem ótimas possibilidades, visto que, ao contrário de Massa e Raikkonen, terá apoio exclusivo e incondicional de sua equipe.

Até mais!

Leandrus disse...

Hehehe, o final do texto foi lindo! Realmente tem sido o campeonato dos erros, com todos os pilotos de ponta misturando boas e más performances (para nossa alegria, exceto para os que torcem somente e efusivamente para um piloto). E a Ferrari, em pleno meio de campeonato, já perdeu o direito de errar, tantas besteiras já cometeram até aqui. Se Hamilton for esperto, pode até conquistar o título mesmo tendo um carro inferior.

Ateh!

Marcos Antônio Filho disse...

po iceman,seus textos são ótimos!falou tudo e mais um pouco!relamente a Ferrari chora já que não tem mais um grande pilotos(apenas dois bons pilotos),muito menos um líder e um estrategista que é mais importante,já que domenicalli é fraquinho,fraquinho...

abraços!

GiglioF1 disse...

Ice,

Vou recomendá-los para a academia brasileira de letras!!! beleza!

Sou um iludido assumido...A Ferrari vai tomar vergonha na cara...Seus pilotos sao mais vitimas que protagonistas...

Mas ainda acho que no final da Cavalinho!!

Abraco!