quarta-feira, 2 de julho de 2008

O Parasita da Vez


Amigos leitores, amantes do automobilismo, a palavra mais utilizada na Fórmula 1 atual é a regularidade.

Em 2005, Fernando Alonso abriu, em média, 20 pontos para Kimi Raikkonen e manteve essa média até o final do campeonato. O finlandês tirava a vantagem em doses homeopáticas, mas a cada tropeço nórdico, o espanhol voltava a abrir larga vantagem. Há quem diga que a Renault era mais carro que a McLaren e que Alonso reduzia os giros do motor para manter a distância e reduzir as possibilidades de quebra, coincidência ou não, depois da conquista antecipada do título, a Renault deu um banho na McLaren no GP da China, onde Alonso sobrou.

Em 2006 Alonso repetiu a dose e abriu certa vantagem para um rival um pouco mais “qualificado”, um tal Michael Schumacher. A Ferrari ainda vivia, no começo do campeonato, a recuperação de um ano desastroso e tropeçava constantemente. Alonso abriu vantagem com três vitórias da Renault nas três primeiras corridas, e Schumacher passou o ano inteiro correndo atrás do prejuízo. O resultado foi aquele que vimos no GP Brasil, o alemão precisaria de um milagre para ser campeão, e mesmo guiando como um demônio ensandecido, o milagre não veio. E a regularidade trouxe a Alonso o bicampeonato.

Em 2007 a regularidade mudou de mãos, foi para Lewis Hamilton. Vale lembrar que ele era o líder do campeonato mesmo antes de vencer o GP do Canadá, sua primeira vitória. Seus tropeços, ainda que duvidosos, nos GPs do Japão e Brasil, tiraram suas possibilidades de um título inédito a um estreante. Hamilton dificilmente era o mais rápido nas classificações, sempre se livrava das confusões na largada, e largava muito bem. Se mantinha na terceira posição e se via beneficiado diante dos erros de Raikkonen, Alonso e Massa. Era sempre um parasita que não desperdiça as possibilidades. O que vale destacar ainda em 2007 é que havia um outro parasita, mas com possibilidades um pouco menores, seu nome era Nick Heidfeld, da BMW, que, a cada tropeço de seus adversários estava lá marcando presença. Após a metade do ano, a regularidade saiu das mãos de Hamilton, e foi para as mãos de Raikkonen, e a vitória do campeonato na apertada diferença de um ponto para os empatados Alonso e Hamilton, provam isso.

Este ano, a historia não vem sendo diferente, aliás, vem sim. Os tropeços dos primeiros colocados e postulantes ao título mundial estão ocorrendo em escalas maiores. Até agora, Kovalainen vem sofrendo do mal que assola os finlandeses na McLaren pós-Hakkinen, o azar. Ele vem fazendo, constantemente, corridas de recuperação, e se recupera até bem, faz alguns pontos, mas a verdade é que já está longe dos ponteiros, e quando a sorte não passeia por Maranello ou pelos lados do companheiro Hamilton, ela também não aperta sua mão. Felipe Massa, que faz o melhor campeonato de sua carreira, depois das apresentações vexatórias da Austrália e Malásia, vem sendo constantemente mais rápido que seu companheiro de equipe, recuperou os pontos de desvantagem e passou o finlandês, aliás, passou todo mundo, inclusive Hamilton, que faz um campeonato cheio de problemas e oscila bons e maus resultados. Raikkonen vem se mostrando apático neste início em que parecia ser imbatível na pré-temporada. A seu favor tem o campeonato do ano passado em que era o quarto colocado na metade de 2007 e venceu, sua confiança torna-se inabalável com esse fator.

E é claro, o parasita da vez chama-se Robert Kubica, da BMW. A equipe bávara reduziu a diferença para as rivais, isso é claro e notório, mas ainda não fez um carro com chances reais de vencer uma corrida. O GP do Canadá teve Safety-Car, e a vitória vinha fácil nas mãos de Lewis Hamilton. A vitória de Kubica seguiu o efeito da causalidade. Kovalainen largou lá atrás, precisou fazer uma corrida de recuperação, Hamilton acertou Raikkonen na saída dos pits, e Massa teve problemas na bomba de gasolina. Kubica era a ordem lógica e Heidfeld em seguida. E ele fez uma classificação excepcional e andou tudo o que a BMW permitia. Quando McLarens e Ferraris abandonam a prova, a líder é a BMW Sauber, e não houve adversários. A equipe bávara estava imbatível, afinal se o alemão segurasse o polonês antes de sua segunda parada, Heidfeld seria o vitorioso.

A primeira vitória veio com estilo, dobradinha, 18 pontos na conta, vice-liderança de construtores a três pontos da rival Ferrari e deixando bem para trás a real rival McLaren. Kubica, de quebra, assumiu a liderança do campeonato de pilotos, temporariamente, é claro, afinal, seus adversários terão de se concentrar e parar de pisar em ovos e as próximas corridas são as mais lógicas do campeonato, fazendo valer o equipamento à causalidade.

Sendo assim, basta Mario Theissen e companhia aproveitarem os bons momentos de glória e darem continuidade ao trabalho que estão realizando.

Ao contrário de Toyota, Honda, Williams e Renault, a BMW faz campeonatos sólidos e alcançam os resultados de forma constante. Em 2006 estreou sem grandes pretensões, apenas como continuidade do trabalho de Peter Sauber, mas conseguiu um pódio com o mesmo Robert Kubica, em 2007 foi a terceira força da Fórmula 1, sem atrapalhar seus dois concorrentes diretos e agora dá um salto de qualidade incrível, no encalço dos ponteiros, mostrando que em 2009, uma nova equipe grande pode nascer, lutar por vitórias constantes e pelo campeonato. Kubica mostrou que é rápido, constante e competitivo, mas no próximo ano terá o mesmo desafio que Hamilton tem hoje, mostrar que pode liderar uma equipe vencedora, ou seja, deixar de ser o parasita, afinal, é ótimo ser um parasita com um equipamento inferior, mas parasitas não vencem títulos.

Iceman®2008

3 comentários:

F-1 A.L.C. disse...

iceman, parasita e uma palavra muito foooortee!! rsrsrs

mais e a pura verdade! Robert Kubica nao tem altura (ainda) para brigar pelo campeonato, e a sua arma e mesmo a regularidade.

mais neste 2008, com a puntuacão tam apertada, a qualide de motor fica muito diminuida como fator de vitoria, tem outros quesitos no qual a SAUBER aprova.

- das 3 escuderias puntera, e a que menos problemas teve com estrategia de paradas
- mesmo com um carro com uma aerodinamica muito dificil, os pilotos parecem não ter dificuldades em dirigi-lo em corridas conflitivas, como monaco
- o motor mesmo não sendo o mais potente, deu muito menos problemas do que a ferrari e a Mclaren.

agora, se o campeonato fosse dado pela habilidade de pilotar e por um sistema de votos, o meu seria para KIMI, mesmo azarado, faz grandes corridas.

GiglioF1 disse...

Leandro,
Parasita me parece um conceito no minimo interessante!!!

Concordo que parasitas nao vencem campeonatos , ou pelo menos nao deveriam!!!
Kubi nao vai ganhar este ano , mas já é uma grande figura!!

Abraco do Giglio!

Leandrus disse...

É, eu confesso que não gosto muito de pilotos regulares (tá, parasitas, rs). Kubica é meu piloto favorito, mas preferia vê-lo tentando ultrapassagens malucas (como na Bélgica ano passado, quando poucos lembram mas o polonês correu endiabrado; pena que não chegou nos pontos, mas fez cada ultrapassagem...) do que ganhando pontos aos pouquinhos. De qualquer maneiro, é bom para ele dosar os dois estilos...

Ateh!