domingo, 20 de abril de 2008

McLaren parte III - Série Grandes Equipes

O declínio

Iniciando 1992, o domínio da McLaren foi destruído pela ascensão da Williams, equipada com o motor Renault, um salto que fez com que a Honda se retirasse da Fórmula 1 no fim da temporada.

Para 1993, a McLaren trocou de fornecedor de motores para a Ford, e, enquanto ela provou ser competitiva nas mãos de Ayrton Senna, a mesma se mostrou um desastre nas mãos do americano Michael Andretti, que marcou apenas cinco pontos, motivo pelo qual fora substituído antes do fim da temporada pelo iniciante finlandês Mika Hakkinen. Senna fez jogo com Dennis para renovar seu contrato para a temporada de 1993, mas o MP4/8 era competitivo e ele pôde terminar bem o campeonato. Durante a temporada de 1993, a McLaren testou um Lamborghini V12, com o qual Senna realizou a sua pior prova. Dennis, ao fim da temporada, decidiu que para o próximo trabalharia em conjunto com a Larborghini, Chrysler e Peugeot, com isso Senna rumou para a Williams.

Para 1994, Martin Brundle se uniu a Mika Hakkinen nos carros com motores Peugeot. Os resultados com o novo motor foram inexpressivos e a Peugeot foi trocada pelo novo e promissor motor Mercedes-Benz. Mas 1995 foi ainda pior, com o radical MP4/10, provando ser muito fraco e lento. O experiente campeão mundial Nigel Mansell veio para o time, mas em uma época difícil, pois tinha dificuldades de adentrar ao cockpit, o que fez com que duas corridas após a estréia, fosse substituído pelo jovem Mark Blundell. Em 1996 era o fim de uma era para a McLaren, o rompimento da longa parceria com a Marlboro, com o famoso vermelho e branco desaparecendo da Formula 1 e dando lugar ao prateado da nova patrocinadora West, que estampa sua cor no carro desde 1997.

O retorno ao topo

Enquanto a Williams dominou os anos de 1996 e 1997, a McLaren fez trabalhos lentos e cuidadosos com a Mercedes e com os pilotos Hakkinen e David Coulthard. O escocês fez um início promissor de temporada em 1997 vencendo na Austrália, mas o carro não era bom e confiável o suficiente para vencer mais GP’s embora Coulthard tenha vencido também no GP da Itália.

Durante 1997, a McLaren contratou o talentoso engenheiro da Williams, Adrian Newey. E então, Mika Hakkinen mostrou um pouquinho das coisas boas que estavam por vir na temporada seguinte com uma vitória na última corrida de 97, no GP da Europa.

O fato é que a McLaren tinha agora Adrian Newey, combinado com o afastamento da Renault da categoria no fim de 1997, fizeram com que a equipe tivesse uma temporada muito forte em 1998, fato encarado na equipe como a única chance da equipe para tentar bater o então bicampeão do mundo Michael Schumacher. EM 1998, a equipe teve novamente uma temporada regular, vencendo 9 etapas naquele ano, consagrando Mika Hakkinen como o campeão daquele ano, com 100 pontos, contribuindo muito para o também da McLaren, título de construtores. Mika Hakkinen venceu novamenteo o Mundial de Pilotos em 1999, mas esta foi uma temporada mais difíocil que a anterior, pois a equipe perdeu o título de construtores para a Ferrari, mesmo com um lesionado Schumacher.

Novas dificuldades

A temporada de 2000 foi muito disputada, mas finalmente o favoritismo da Ferrari de Michael Schumacher se fez valer.

Desde 2000, a equipe tem lutado para voltar ao topo da categoria, mas tem passado por problemas com a parceira Mercedes-Benz. Em 2001, Mika Hakkinen rompeu o clima de paz com o companheiro Coulthard, embora fosse impossível lutar contra a combinação Schumacher-Ferrari. Em 2002, Hakkinen teve uma temporada desanimadora (o que resultou em sua aposentadoria), abrindo caminho para um compatriota muito promissor, Kimi Raikkonen. A equipe obteve apenas 4 vitórias nesta três temporadas, e em 2002, a equipe teve uma única vitória, em Mônaco com Coulthard, e viu a rival Ferrari vencer quase todas as corridas, menos duas.

O ano de 2003 começou de uma forma extremamente promissora, com duas vitórias nos dois primeiros GP’s, uma com Coulthard e outra com Raikkonen. No entanto, os rivais denunciaram a McLaren por problemas no desenvolvimento do revolucionário MP4/18, que apresentava problemas jamais vistos na categoria. Forçaram o time a usar o velho MP4/17D, uma punição muito severa para a Fórmula 1 moderna. Mas, mesmo assim, a equipe conseguiu fazer uma temporada razoável e Raikkonen disputou o título de forma apertada com Schumacher, perdendo na última prova por uma diferença de apenas dois pontos.

O time começou a temporada de 2004, com o MP4/19 que, segundo palavras de Adrian Newey, era uma versão redesenhada do MP4/18, mas que não foi muito produtiva. No meio da temporada, a equipe estreou o MP4/19B, que na verdade era o mesmo carro com um novo desenho aerodinâmico. O resultado na primeira prova após a mudança deu uma ponta de esperança aos ingleses, mas logo a esperança se desfez, com a equipe conseguindo apenas mais uma vitória na temporada, no GP da Bélgica e viu a insuperável Ferrari de Michael Schumacher vencer 13 das 18 provas daquele ano, o que configura o atual recorde de vitórias em uma só temporada na categoria.

O piloto colombiando e campeão na CART, Juan Pablo Montoya foi o escolhido para substituir Coulthard em 2005, tendo como parceiro, Kimi Raikkonen. Montoya teve que ser substituído em duas corridas pelos pilotos de teste, Pedro de la Rosa e Alexander Wurz quando o mesmo esteve lesionado. Nas corridas iniciais de 2005, a McLaren perdeu muito espaço para a Renault, e somente no GP de San Marino, viu que tinha um carro rápido, mas por um erro de Raikkonen, a equipe ficou fora da prova quando era a líder.

Enquanto a equipe mostrava um grande poder de aceleração, de ser veloz, a equipe sofria com a inconstância do modelo, fato que custou um bom número de vitórias ao finlandês Raikkonen quando este liderava ou estava próximo disto. A Renault (Fernando Alonso em particular) estava apta a tomar o lugar cedido pela McLaren. O espanhol acabou faturando o título da temporada após mais dois GP’s em que Montoya abandonou.

Refletindo que foi uma temporada extremamente competitiva, mas muito frustrante para a equipe, Ron Dennis disse: “Nós sentimos que perdemos o campeonato nesta temporada devido às nossas primeiras quatro corridas, excessivamente conservadoras.”

A temporada de 2006 viu a McLaren introduzir um novo aspecto, uma parte de cromo, no seu MP4/21. O time estava com a expectativa de recuperar o seu lugar no topo do pódio principalmente depois dos resultados da segunda metade da temporada anterior. No entanto, nos testes de inverno, ficou muito claro que o motor Mercedes deixava a desejar em potência, mas a fornecedora respondeu e introduziu um novo componente no motor, o que ofereceu uma performance inacreditável ao mesmo.

O primeiro fim de semana de corridas, no Bahrein, começou mal. Com uma falha na suspensão, Raikkonen se acidentou e teve que largar do fim do Grid. Mesmo com estes problemas, Raikkonen fez uma excelente corrida de recuperação e chegou em terceiro lugar, atrás de Schumacher e Alonso. Montoya, o outro piloto da equipe, não terminou bem, sofrendo com problemas no setup do seu carro. O colombiano passou a ser visto na equipe com certa desconfiança após o GP dos EUA, em que ele bateu no seu companheiro e terminou com a corrida dos dois, logo na largada. E após a prova, ele anunciou que estava deixando a equipe para correr na NASCAR e o piloto de testes, Pedro de la Rosa, terminou a temporada como titular na equipe britânica.

Na sequência, no GP da Itália, a Ferrari anunciou que havia assinado com Raikkonen para substituir Michael Schumacher na equipe. E a temporada seguiu com a McLaren sempre próxima do topo da categoria, mas a consistência e velocidade maiores das Renault e Ferrari fizeram com que a equipe não vencesse nenhuma prova em 2006, algo que não acontecia havia uma década na equipe. Raikkonen terminou a última corrida da temporada, no Brasil, em quinto lugar.

Com uma dupla de pilotos formada pelo então atual campeão Fernando Alonso e o estreante Lewis Hamilton, o ano de 2007 continua bem fresco na mente de todos nós. Tendo um carro muito rápido e consistente, a McLaren tinha totais chances de faturar o título, mas uma briga interna jogou por água abaixo o caneco que era quase certo.

Abraços!

Leandro Montianele e Deyvison Nascimento

11 comentários:

Leandrus disse...

Parabéns pela série, gostei muito. Espero outras do mesmo jeito!

Eu lembro que o Raikkonen toda hora era taxado de azarado. Agora o título é do Button, que tem todos os tipos de problemas toda hora, mas ninguem percebeu, rs

Ateh!

Rodrigo Morano disse...

Muito legal a saga da mclaren, parabéns pelos textos e as fotos também ficaram bem legais e encaixadas perfeitamente nos textos.
A história da Lotus não pode faltar.
Abraços.

Ricky disse...

Prezados Leanfro e Deyvison,
Primeiramente obrigado pelo comentário no meu blog e por ter adicionado o The Power Machines aos seus favoritos. Já adicionei o Loucos por F-1, também.
Gostei bastante do seu blog, muito bem apresentado, com matérias interessantes, como as histórias das equipes e pilotos.
Sucesso à vocês!
Um abraço,
Ricardo Guimarães

Alexandre Massi disse...

bacana tb é ver as mudanças nos carros. Cada modelo com cores diferentes. Excelente série! Abs

Priscilla Bar disse...

É...e a Mclaren parece que vai seguir com a saga "O Declínio".

Blog F1 Grand Prix disse...

Como já falaram por aqui, ficou muito legal a série sobre a McLaren. Na minha opinião, apenas a Ferrari tem mais história na Fórmula 1 do que o time do Ron Dennis. E esses ingleses cabeçudos continuam no topo até hoje...

Grande abraço!

Gustavo Coelho

OCTETO RACING TEAM disse...

Muito legal o texto meninos!!!

Gostei mesmo!!Parabéns!!

AH!!! Sim... 2007 está bem recente em nossas mentes!! hehehe
Na minha então...afff!

Pena que eles não souberam tratar um bicampeão! Se assim o fizessem o texto de vcs teria terminado diferente...hehehehe

Leandro, vc já sabe o que penso né?hahahaha

Bjinhos do Octeto !!!!

Tati

Marcos Antônio Filho disse...

é Será que o declínio vai continuar?
Ótima série muito bem feita, principalmente na parte em que fala da superioridade da Williams de 92 a 96...aiai tempo bom que não volta mais...

abraços!

Daniel Leite disse...

Ótima série!

A realidade é que, não fosse Schumacher, a McLaren poderia ser a equipe com o maior número de títulos mundiais. Na minha opinião, Raikkonen, pelo potencial que tem, poderia ter ganho ao menos dois campeonatos, já na escuderia britânica.

Até mais!

Marcos - Blog da GGOO disse...

Será que a Mclaren vai ter outro declínio??
Mais uma vez, parabéns pela série, nada mais a acrescentar, já tá tudo aí!!

Speeder_76 disse...

Parabéns, a série está bem escrita. Gostei de a ler.


Espero que voltem em breve com mais uma equipa. Só espero que seja Lotus, Williams ou Tyrrell! A Ferrari deveria ficar para o fim, como uma espécie de culminar!